12
ago

Quando, na cerimónia de abertura dos próximos Jogos Olímpicos, a chama olímpica for ateada por um atleta empunhando uma tocha, o fogo sagrado terá percorrido um longo caminho desde a Grécia, pátria do evento original. Com alguma emoção, todos nós veremos então nesse gesto simbólico o espírito e a pureza do ideal Olímpico. A chama permanecerá ardendo continuamente durante os vários dias em que decorrerão as competições, lembrando os valores altruístas que presidiram à criação dos Jogos Olímpicos da era moderna. Mas o que pensamos tratar-se de uma tradição secular é, afinal, um costume recente com uma origem bem menos nobre: o regime Nazi de Hitler.

A 1ª Olimpíada da era moderna teve lugar em Atenas, em 1896. Nada de chamas ou tochas foram usadas neste evento. Somente a partir da 9ª Olimpíada, realizada em Amsterdão em 1928, este costume foi iniciado com uma enorme tocha a ser ateada no próprio local. Porém, nos famosos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, disputados sob a égide do regime Nazi, a ideia foi ampliada e decidiu-se que a chama fosse trazida desde a Grécia ardendo numa tocha que seria transportada por centenas de atletas. Esta encenação, típica do regime Nazi, levantou desde logo numerosas dificuldades técnicas. Em primeiro lugar foi necessário criar um recipiente para transportar e preservar o fogo sagrado, uma tocha em aço inoxidável de peso e tamanho reduzidos. Mas o principal problema residia no tempo de combustão e na resistência ao apagamento. Utilizou-se para isso um composto à base de magnésio que, mesmo assim, ardia apenas durante cerca de 10 minutos. A cada passagem de testemunho era preciso acender uma nova tocha com a chama da anterior, o que fez com que fossem necessárias quase 4000 tochas para cobrir os 3187 km do percurso! Mas o resultado final, pleno de espectacularidade, serviu bem os intentos da propaganda nazi.

http://ricardomonteiro.org/wp-content/uploads/2008/08/tocha2.jpg

Depois da guerra, os Jogos retomaram a sua cadência quadrienal. Em Londres, em 1948, esquecidos os seus propósitos originais, o ritual de abertura foi repetido e adoptado definitivamente. Doravante a tocha olímpica passou a ser alvo de um desenho exclusivo que representasse em simultâneo o país e o tema dos Jogos. Apresento a seguir diversas tochas utilizadas desde 1936 com destaque para o belíssima tocha dos Jogos Olímpicos de Roma de 1960, baseado em antigas tochas. Quem desejar conhecê-las todas pode encontrá-las aqui.




  1. Nenhum comentário, comente!

Comentar: